sábado, 27 de dezembro de 2008

Jude

I don't know, maybe miles and miles without this tonight
A sadness grows or disappears with time.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

todos

Ele:

Acometido, ermo e perdido
Entretido por minhas vontades
seios fartos e maduros
aguçam o sangue ardido
O sol escaldante
No anseio do inferno de dante
Nesse arteiro instante cumprido.

um violão que sobressaio
Telúrica como uma égua
trepidante em busca
da vara lasciva e cega
cobra cega meliante
a forma diforme
Verde vede, quantos tantos?
Quantos possam
Possuí-la

Ela:

Fuga que arrebenta
Invadindo estrondosas cancelas
Curvando minhas canelas
Não ofenda assim, não abre a ferida.
Esse teu jeito meio sem jeito
Melindroso entre meus seios.
Não sabe a medida.

Teus planos teus gestos
Teu aeroplano sem nome.
Há dias me magoando
Saindo do sulco traçado e somes.
Eu implorando sossego ou união
E você no teu ufanismo de pavão.
A lua das bruxas ainda te comes
Meu homem d’ olhos de limão

No mesmo dia que fodes
Ajoelha e pede a Deus
Um abraço que não cabe
Um ser alado solitário e melindroso
Covarde e preguiçoso
Eu debulho a espera de ruído
Mas tu és um deus silêncioso

Nós:

Sem ao menos saber
qual papel erguer
Morremos de aflição

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Apnéia

Ontem, a noite estava reprimida, talvez carente de alguma presença sedutora. Não queria me pavonear para aquela garota, mas aquele jazz e aquele ar de cores púrpuras que entorpeciam até os mais tradicionais homens de engenho, colocavam-me torpe, num insolúvel questionamento: a vida, babe, é uma apnéia de sensações moleculares.
Nas aulas de química eu só queria sentir a reação entre substâncias que minimizavam a prévia existência dos compostos, transformando-me em uma nova espécie: o homem ultramoderno, uma saga, uma mentira. Um deus que abortou a perfeição de tudo que se mexe e de tudo que se embriaga.

domingo, 3 de agosto de 2008

Mas foi

Um ortóptero saltador passeava pelo meu paralítico monitor perto de um link pornográfico. Agarrei-o paralisando seu guarnecer de asas, senti uma força desproporcional ao tamanho daquele grilo simplório, simpático, mas arredio feito, hum... seilá, uma palestra de Deleuze, vai. Apertei-o. Não quis matá-lo, só convencê-lo da minha superioridade. Seu sangue escorreu ao ponto de arrepiar meus pentelhos. Tá bom, não era propriamente um sangue, vai, também não sou propriamente um predador de grilos. Embora eu trapaciasse o bastante ao ponto de tornar minhas façanhas incompreensíveis. Então abri a janela e pensei em soltar o grilo, estendi a minha mão e... coloquei o grilo dentro da boca e mastiguei. Senti-me um homem mau. Pensei em todas as pessoas que tem cargos importantes num país como o Brasil, enquanto mastigava o grilo. Escutei ele balbuciar qualquer coisa meio grilado, mas ignorei.

sábado, 26 de julho de 2008

domecp

Não posso dar certo. Seria mais um nome para as pessoas estudarem. Mais uma informação. Sou poeta, e isso é uma indulgência, pode me atirar o cabo da vassoura, um balde de água fria. Eu cometo atrocidades por essa liberdade de dizer que sou poeta, podem cuspir em mim. Ontem a noite quebrei vidraças, roubei flores e chocolates de avelã, cantei em francês e recitei segundos de silêncio às pessoas enlatadas no coletivo. Não importa se eu estava sóbrio ou não, eu estava, etilicamente, poeta. Podem me denunciar. Vou morrer pobre, como um último deboche, piada, desconforto. Com a certeza definitiva que sou poeta, não porque escrevo, não porque sou sublime e as vezes levito, apenas porque sou julgado como poeta. Por que deus gosta de mim, e eu já comi a sua mãe.

Dias

Tenho tal e todas tenho, se eu seria seu pandemônio toda hora e orgia que precede o meu sono* eu queria de vez enquando um miasma de alegria * eu escorro meu esporro, quando sinto que precinto, logo sumo surdo a calmaria * os cantares, todos os sinos, todos os ísmos cimos e cismas * tudo agora, espalhado, de um retalho ralo e caolho o desgosto descansa a vista desse marasmo, dessa preguiça * Oh, premissa, do caralho, deixa em paz meu cachecol, esse verde dos meus olhos ei-los de reconquistar * minha vida, o meu lar, toda aquela rotina vulgar * o que eu amo, o que eu amo, o que eu amo, de barriga cheia * minha menina, você casou consigo mesma, eu fui apenas a decoração da sua cama de casal.

eh

O que estamos fazendo com nossas vidas não é um dilema, mas está virando.

Exercitando a perfeição.