-
sábado, 26 de julho de 2008
domecp
Não posso dar certo. Seria mais um nome para as pessoas estudarem. Mais uma informação. Sou poeta, e isso é uma indulgência, pode me atirar o cabo da vassoura, um balde de água fria. Eu cometo atrocidades por essa liberdade de dizer que sou poeta, podem cuspir em mim. Ontem a noite quebrei vidraças, roubei flores e chocolates de avelã, cantei em francês e recitei segundos de silêncio às pessoas enlatadas no coletivo. Não importa se eu estava sóbrio ou não, eu estava, etilicamente, poeta. Podem me denunciar. Vou morrer pobre, como um último deboche, piada, desconforto. Com a certeza definitiva que sou poeta, não porque escrevo, não porque sou sublime e as vezes levito, apenas porque sou julgado como poeta. Por que deus gosta de mim, e eu já comi a sua mãe.
Dias
Tenho tal e todas tenho, se eu seria seu pandemônio toda hora e orgia que precede o meu sono* eu queria de vez enquando um miasma de alegria * eu escorro meu esporro, quando sinto que precinto, logo sumo surdo a calmaria * os cantares, todos os sinos, todos os ísmos cimos e cismas * tudo agora, espalhado, de um retalho ralo e caolho o desgosto descansa a vista desse marasmo, dessa preguiça * Oh, premissa, do caralho, deixa em paz meu cachecol, esse verde dos meus olhos ei-los de reconquistar * minha vida, o meu lar, toda aquela rotina vulgar * o que eu amo, o que eu amo, o que eu amo, de barriga cheia * minha menina, você casou consigo mesma, eu fui apenas a decoração da sua cama de casal.
