Ele:
Acometido, ermo e perdido
Entretido por minhas vontades
seios fartos e maduros
aguçam o sangue ardido
O sol escaldante
No anseio do inferno de dante
Nesse arteiro instante cumprido.
um violão que sobressaio
Telúrica como uma égua
trepidante em busca
da vara lasciva e cega
cobra cega meliante
a forma diforme
Verde vede, quantos tantos?
Quantos possam
Possuí-la
Ela:
Fuga que arrebenta
Invadindo estrondosas cancelas
Curvando minhas canelas
Não ofenda assim, não abre a ferida.
Esse teu jeito meio sem jeito
Melindroso entre meus seios.
Não sabe a medida.
Teus planos teus gestos
Teu aeroplano sem nome.
Há dias me magoando
Saindo do sulco traçado e somes.
Eu implorando sossego ou união
E você no teu ufanismo de pavão.
A lua das bruxas ainda te comes
Meu homem d’ olhos de limão
No mesmo dia que fodes
Ajoelha e pede a Deus
Um abraço que não cabe
Um ser alado solitário e melindroso
Covarde e preguiçoso
Eu debulho a espera de ruído
Mas tu és um deus silêncioso
Nós:
Sem ao menos saber
qual papel erguer
Morremos de aflição
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1 comentário:
ilumina!
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